Em 1883, a história agrária e patrimonial de São Tomé e Príncipe ganhou um capítulo decisivo no extremo sul da ilha. Jacinto Carneiro de Sousa e Almeida, futuro 1.º Visconde de Malanza — e filho de João Maria de Sousa de Almeida, o 1.º Barão de Água-Izé, pioneiro do cultivo do cacau no arquipélago —, expandiu as fronteiras agrícolas da região com a fundação da Roça de São Miguel.
Uma Linhagem de Pioneiros: Enquanto o seu pai estabeleceu o império agrícola de Água-Izé no centro-leste, Jacinto avançou para as terras virgens e isoladas do sul. A partir de Porto Alegre — o grande entreposto da época —, desbravou a densa floresta tropical até alcançar as margens do Rio de São Miguel.
Isolamento e Logística Marítima: Sem estradas terrestres e rodeada por uma vegetação impenetrável, a roça dependia exclusivamente do mar. O transporte de trabalhadores, mantimentos e da produção de cacau era feito por embarcações que navegavam as águas desafiadoras da costa sul.
Um Marco de Pedra e Fé: No coração deste entreposto remoto, Jacinto ergueu a Capela de São Miguel em sólida alvenaria de pedra e cal. Posicionada estrategicamente na fronteira da roça, a capela foi construída voltada para o Oceano Atlântico, em direção ao Brasil — um símbolo das históricas rotas marítimas, comerciais e culturais que uniam Portugal, África e as Américas.